sábado, 15 de junho de 2024

A ignorância das massas.

 Cá estou estou eu de volta.

Hoje mais uma vez, para fazer uma reflexão sobre um tema que não vou conseguir vencer, nem sequer pretender fazê-lo, mas apenas como um alerta, uma reflexão sobre o markting que gira em torno do mundo do tiro com ar comprimido, já que é disto que se trata aqui.

Foi há uns anos que comecei a assistir aos vídeos de alguém apaixonado pelo tiro que usava e ainda usa, armas de ar comprimido no seu canal do YouTube, lembro-me que há uns 10 anos, eu pouco o nada sabia sobre tiro, fosse ele com ar comprimido ou fogo, mas como aquele canal tinha muitas visualizações e o youtuber fazia uns vídeos a dar umas lições de balística, acabei por seguir o canal e começar a dedicar algum tempo à minha pressão d'ar como lhe chamava, depois troquei aquela por outra e por outra e depois comprei outra, desta vez já sem trocar nenhuma e depois outra e outra, e às tantas quando dei por mim estava a praticar tiro no meio de alguns dos melhores atiradores do mundo. Daí a deixar de seguir com regularidade um canal que achava ser uma fonte inesgotável de conhecimento, foi um "tirinho".

Quando digo dos melhores do mundo, são mesmo dos melhores do mundo, certificados pelos resultados que o desporto lhes confere em provas do mundial de Field Target, que como digo muita vez, não é um desporto mais difícil que os outros desportos de tiro de precisão, mas sinceramente não conheço nenhum outro mais completo, seja ele praticado com ar comprimido ou com fogo.

Nestes 10 anos obviamente que tenho continuado a seguir alguns canais de YouTube, alguns foruns, para mim a melhor plataforma de aprendizagem, bem como também alguns blogues. Obviamente que em todo este tempo, a maior parte dele no desporto, adquiri bastantes conhecimentos, tal como qualquer outro atirador que esteja neste desporto com a intenção de ser cada vez melhor. Aprendi também a "separar o trigo do joio" ou seja, comecei a saber o suficiente para perceber em que canais de facto se pode aprender, sejam eles no YouTube, ou noutra plataforma qualquer, e onde até se pode assistir a uns balázios para nos entretermos, mas onde pouco ou nada se aprende, pois nem o fazedor de vídeos sabe para ele. Eu próprio, aqui mesmo, também já produzi umas merdas onde não se aprende rigorosamente nada, mas também não o faço na intenção de ter "views", mas sim porque também mando uns balázios para lá do desporto.

É engraçado que no meio disto tudo, só me lembro de dois ou três casos em que as marcas de armas, miras, projéteis e por aí fora apoiam aqueles que realmente percebem daquilo que falam, o normal mesmo, é ver pessoal que é melhor a fazer vídeos do que propriamente a atirar ou a dominar o que envolve o tiro, pessoal que apenas produz entertenimento e que fala o que ouve dizer, ou que elogia o material precisamente para ter acesso gratuito a esse mesmo material. Obviamente que todos dizem estar a dar opiniões independentes, o facto é que a regra da reciprocidade está sempre presente em nós humanos, não adianta fugir, é um facto, basta ler um pouco sobre o assunto e livros sobre o tema é coisa que não falta. INFLUÊNCIA a psicologia da persuasão,  um livro do Dr. Robert B. Cialdini, aconcelho a ler, sao setecentas e muitas paginas que vale bem cada minuto gasto. Não neguem, os cientistas na área sabem, as marcas também há muito que sabem que é assim, e nós próprios, depois de uma oferta, achamos que que estamos a ser completamente justos ao elogiar, quando na verdade, estamos apenas a fazer algo inerente à condição humana que é agradecer a oferta.



Até aqui nada de novo, afinal, não é nada que não estejamos habituados a assistir ao longo de muitos anos na imprensa especializada do que quer que seja, as marcas precisam dos canais de publicidade e os canais de publicidade que nada mais são do que isso mesmo, precisam das marcas. O engracado mesmo, é que o pessoal que sabe muito mas que não produz entertenimento, não tem o mínimo de atenção por parte das marcas do que quer que seja.

As marcas gostam de pessoal que faz coisas completamente estúpidas como unboxings, que para quem ainda não sabe o que é eu digo, basicamente é desembalar artigos e mostrar o que vem lá dentro, algo que perco um minuto a ler na fixa técnica do produto se o quiser comprar.

Não me levem a mal aqueles que o fazem e aqueles que gostam de perder tempo a ver vídeos destes, afinal eu também perco tempo a ver "não notícias" na TV, perco tempo a ver estas coisas mas não me apanham de certeza a ver Big Brother, tal como também não me apanham a ver 99% dos vídeos sobre ar comprimido falados na língua de Camões com sotaque do outro lado do lago onde por tudo e por nada se produz um vídeo, sabendo ou não aquilo que se está a dizer.

Ok, é já uma questão cultural, uma questão que acaba por influenciar outros atravez da ignorância, que se vai prepetuando e desta forma estamos por vezes a ouvir um monte de gente dizer perfeitas idiotices.

Sei que este post não vai chegar a muita gente, mas como sempre venho aqui dizendo, esta plataforma está completamente obsoleta, a grande maioria acha que perde tempo a ler, ver vídeos é muito mais agradável, por outro lado, desde o início que digo que este espaço é para mim uma espécie de diário aberto a quem achar que tem algum interesse. Por não ter muitas visualizações e precisamente por não ser patrocinado por nenhuma marca é que me dá a total liberdade e isenção nas minhas opiniões.

É este o melhor blogue da especialidade?

Seguramente que não, mas também está muito longe de servir para vender produtos e produzir opiniões inquinadas.

Abraços e bons tiros.


segunda-feira, 1 de abril de 2024

Made in Portugal

 Fabricado em Portugal pelo meu amigo Bruno Silva, não é a primeira coronha que fabrica, já antes e também em alumínio, fabricou coronhas para a Walther LGU de Field Target e também para a Weihrauch HW97.

Num pequeno país onde as armas de ar comprimido praticamente não têm expressão, aqui fica mais um magnífico projecto do Bruno.

Boa sorte companheiro.





segunda-feira, 25 de março de 2024

Também sei fazer uns vídeos

 Na sequência do último post, aqui fica um vídeo caseiro só para que se veja como sou mesmo bom.

Não, não é nada disso que estão a pensar, só quero que vejam um gajo a acertar numa toranja a 534 metros com ar comprimido.

Vá, se calhar não são bem 534 metros, mas são à vontade 738 metros.





domingo, 18 de fevereiro de 2024

YouTubers

 


Nas redes sociais aprende-se muita coisa, mas neste momento é cada vez mais difícil aprender por esta via, tal é a quantidade de supostos bons atiradores que proliferam por essa net fora.

É impressionante a quantidade de gente que faz vídeos a dar tiros dizendo que estão a atirar.

Alguns canais têm mesmo milhares e milhares de visualizações, por aqui se percebe a quantidade de gente que anda a ser enganada. Não era comum ver-se aldrabões em canais ingleses, mas neste momento até já a estas paragens chegou a intrujice. Vejo alguns YouTubers por esse mundo fora (em alguns países bastante mais que noutros), que facilmente eram campeões do mundo de FT ou HFT sem darem a mínima hipótese a quem quer que fosse. 

E porquê?

Porque a malta gosta é de ver vídeos onde se fazem bons grupos.

E porque é que os YouTubers fazem essas aldrabices?

Porque a maior parte, tem a esperança de que as marcas lhe mandem pra lá material com fartura e lhe ofereçam material para continuarem a enganar o desgraçado que não faz outra coisa que não seja agrupamentos.

É impressionante a quantidade de gente que pensa que está tunar uma arma, quando na verdade, muitas das vezes estão a sujar o pezinho.

Vê-se de tudo com fartura e o pior é que muito pouco se aproveita.

Conheço canais de malta que sabe que se farta e com provas dadas,  mas como em vez de fazerem vídeos bonitinhos, ou vídeos de grupos fabulosos, fazem aquilo que é espectável, depois chateiam a cabeça aos outros a mostrar a realidade sem agrupamentos maravilhosos mesmo com ventanias desgraçadas.

Não tem mal nenhum fazer vídeos com reviews  e mostrar aquilo que se pode esperar de determinada arma, o problema é que há canais que não passam disso, ainda por cima a enganar quem está a começar e pouco o nada sabe de tiro. Eu próprio vejo alguns canais onde se fazem reviews e eu próprio publiquei, publico e continuarei a publicar reviews e alguns com os melhores agrupamentos obviamente, mas os "milagres" que às vezes parecem acontecer, são referidos como tal ou então, facilmente se percebe que a regra não é aquela.

Hoje por acaso, até tropecei num canal em que fizeram precisamente o oposto, fizeram uns grupos merdosos a compararem a nova TX200 laminada com HW97 laminada também, só não souberam porque é que saiu aquilo o que leva depois a pensar-se que armas de inferior qualidade conseguem ombrear com as melhores. Pelo menos não foram intrujas.

Mas pronto, é o que temos, a malta gosta é de Big Brother, nos meus primórdios, eu também não sabia distinguir o trigo do joio. Felizmente tive a felicidade de conhecer gajos mesmo muito bons e ver a "porcaria" que fazem. 

domingo, 17 de dezembro de 2023

Strelok, fiável ou nem por isso?

 



Eu não confiava totalmente, daí não usar a aplicação para me dar a curva balistica na arma que uso para a prática de Field Target. Como não confiava totalmente, nada como ir para o campo para tentar comprovar a fiabilidade da aplicação e desta forma saber até que ponto esta é confiável.

Quando falo da minha desconfiança tenho de fazer uma chamada de atenção para a dimensão do alvo, ou seja, no meu caso ou no caso das armas que eu uso e que se usam também em diversas partes do globo, seja para prática desportiva ou para caça, tenho sempre de levar em consideração este aspeto incontornável. 

Se se está a usar uma espingarda de ar comprimido, obviamente que não será para acertar em alvos do tamanho de um prato de sopa a 50m, usar em conflitos bélicos onde se pretende acertar em alvos humanos, ou usar para caçar bufalos em África. Como tal eu penso sempre em alvos de tamanho razoável como por exemplo, uma tampa de garrafa a distâncias até 25m, uma bola de ténis a 60m, um prato de sobremesa a 120m e por aí fora. Estes são tamanhos para acertar sempre ou quase sempre, obviamente que não estou a falar de armas chinesas ou de qualidade duvidosa, refiro-me também a distâncias compatíveis com a energia da arma, claro que não se pode exigir a uma muito boa arma de mola com 10j de potência que acerte num prato de sobremesa a 120m, muito menos que acerte sempre. Também não estou a considerar apenas o acertar, como se vê por esse YouTube fora, seja com armas de ar comprimido ou de fogo. Para mim não faz muito sentido atirar até acertar, obviamente que não é impossível acertar num alvo do tamanho de um prato de refeição a 150 ou 200m com uma boa arma de mola de 15 joules ao fim de um monte de tiros, com sorte até pode acontecer que ao fim de um par de tiros, algum chumbo lá vá parar, no entanto não me parece que faça algum sentido dizer-se que uma HW50 seja uma arma para atirar a 200m, ainda que por sorte ao fim de meia dúzia de tiros se consiga acertar no prato.

Dito isto, posso dizer que tenho dois amigos do tiro que me gozam devido ao meu cepticismo relativamente ao Strelok.

Hoje fui para o campo experimentar umas munições novas, novas para mim devido a um peso que eu ainda não tinha usado na arma que hoje levei.

Alerto já para o facto de não colocar aqui fotos com números referentes a velocidades e pesos, nem mesmo mensionar tais números mas acreditem no que vos vou dizer das  conclusões que retirei deste exercício. 


Alguns tiros que me indicaram o click correto, a fim de eu alterar valores que medi no cronógrafo que por acaso é idêntico ao usado pela FPT 


Após escolher projéctil e a velocidade ideal. Desculpem tapar os números.




Houve um flyer que obviamente tem de se ignorar.




Zeragem para através da app encontrar o BC mais próximo do real. Nem sempre o Queficiente Balístico bate certo com o anunciado pelo fabricante dos projécteis, logo, nem sempre está correto o que aparece na aplicação quando escolhemos o projéctil. 




Na compensação do vento, a app estava muito errada mas talvez ao longo do trajeto não estivesse o vento que estava junto a mim, ainda assim, quando não compensei vento, os tiros apenas acertaram uns 2 cm à esquerda.


Conclusão 

Algumas das conclusões que comecei a retirar foram as seguintes e depois de colocar na aplicação todas as medições que fiz, tais como altura de mira, média de peso e velocidade do projéctil, temperatura do ar e tudo o que a aplicação nos pede para nos dar a trajetória do projéctil nas diferentes distâncias pretendidas, cheguei mesmo a fornecer os valores aos meus dois amigos para que fossem eles a introduzir os dados e até a achar através da aplicação, o Queficiente Balístico correto.

Eu sei que o texto já vai algo longo, mas este blogue não pretende muitas visualizações, pretende sim ajudar-me e relembrar algumas coisas que tive e fiz, ou se alguém tropeçar nele, que o leia se tiver interesse, caso goste e queira tirar daqui alguns ensinamentos ou então ensinar-me a mim porque obviamente estou longe de saber tudo, esteja também à vontade para discutir aqui os assuntos abordados.

Vamos lá então, se quisermos acertar por exemplo numa lata de refrigerante a 150m, o Strelok é uma excelente aplicação se lá metermos os dados todos corretamente, mas se pretendermos acertar no centro da lata talvez não seja suficiente colocarmos apenas os dados medidos com a balança, termometro, cronógrafo, paquímetro, e range finder. Talvez seja melhor confirmar no campo atirando a várias distâncias para confirmar os valores da aplicação, caso não coincidam,  o que em algumas distâncias é bem provável, devemos fazer depois pequenos ajustes (falcear) nos valores medidos, tais como velocidade e BC, ainda assim haverá diferenças por vezes de 2 clicks em distâncias intermédias.



Esta chapa tem cerca de 12,5 X 12,5 cm e encontrava-se a 150m, dei os clicks que a aplicação mostrou para esta distância e nos primeiros tiros nem acertei, depois subi uns clicks e acertei na parte de baixo, mais uns clicks e finalmente comecei a acertar à altura do ponto preto que tem 25mm. Foi preciso corrigir 8 clicks de 1/10 Mrad para cima em relação ao recomendado pela aplicação. 


Para terminar, e mesmo em jeito de conclusão MINHA. 

Acho o Strelok a melhor aplicação balística para ar comprimido que com algum trabalho de campo, consegue dar-nos referências muito próximas das reais para muitas das distâncias a que é possível atirar para acertar ao 1° tiro que é o que para mim faz sentido.

No entanto, ainda que eu ache a aplicação útil e com boa fiabilidade, não penso usar para fins de desporto de competição, prefiro fazer o trabalho de campo e tudo o resto que tenho feito até aqui.

Bons tiros e divirtam-se à brava.

domingo, 19 de novembro de 2023

Nunca é tarde para atirar e ser feliz



A experimentar a RTI Prophet .22 e a meter tiros dentro uns dos outros.



Aqui está a prova de que nunca é tarde para atirar.

Seja com ar comprimido ou com outro tipo de armas.

Ontem tive mais uma vez o prazer de receber em casa o meu amigo Otávio que fez maravilha com tudo o que atirou e bem.

A alegria estampada no rosto das 85 primaveras é contagiante.




O que fez com a besta numa única foto




Para que se veja bem, mira aberta a 10m


 



sábado, 11 de novembro de 2023

Resumo da época 2023




Comecei esta época na Ota a experimentar as PCP em prova, a AA EV2 já tem uns aninhos mas está relativamente bem preparada, já a mira é a big Nikko que há muito coabita com a Air Arms TX 200.
Não havia vento na Ota, faço o primeiro tiro e derrubo o alvo errado ou seja, comecei o campeonato logo em grande, lixado com a estupidez que tinha acabado de fazer, falho o segundo alvo mais próximo que o anterior que tinha caído, o certo é que termino em segundo lugar com apenas 3 alvos falhados quando poderia perfeitamente ter sido apenas 1, 49 acertos, 100% e 1°lugar.

A segunda prova não correu bem, a prova não estava difícil mas pensar que apesar de ser o primeiro ano em PCP, perceber que ainda assim podia ganhar uma prova e a pressão de repetir o excelente resultado da primeira prova, acabaram por me fazer cometer alguns erros, a juntar a tudo isto, levei um amigo para assistir à  prova que andou o tempo todo atrás de mim a falar como se estivéssemos num dia normal de treino descontraído, 41 acertos foi muito mau mas pronto, contam as melhores 3 provas do campeonato e eu ainda só ia na segunda prova. Não comecei a época obviamente com a intenção de ser campeão, até comecei só com a intenção de fazer apenas uma prova na categiria PCP, o excelente resultado e a insistência de alguns colegas é que me fizeram continuar. Acabei por concordar e tentar fazer Mestre Atirador em mais uma categoria do Field Target. Se já sou nas duas categorias de mola, porque não tententar em PCP internacional? 

Terceira prova, Viana do Castelo. 
Este ano decidi não ir, a distância e a despesa é grande, ir no dia anterior e dormir lá fica caro, a vida não está para brincadeiras e o objetivo para esta época era mais modesto, como tal, este ano decidi não ir, soube que a prova foi muito bem organizada e o local era bonito mas fica para o ano, vamos ver.

Quarta prova, Caldas da Rainha.
Depois de dois meses sem competir, vinha uma prova num dia de bastante vento. 
Terceiro lugar a dois acertos do 1° e novamente 3 asneiras que evitaram que fizesse 1° lugar, falhei dois tiros faceis na posição de pé, um alvo de 40mm a 17m e um outro ainda mais fácil também de 40mm mas agora a 14m, depois umas portas à frente a cereja no topo do bolo, um furinho de 15mm na posição livre a 9,5m ou seja andei a acertar tiros longe num dia de vento para depois errar tiros perto e estragar a classificação.

Quinta prova, Sousel.
Fui no dia anterior para montar a prova, foi um dia de sábado desde as 9 da manhã até às 3 da tarde, a responsabilidade era muita, o Luis que nos anos anteriores foi quem montava a prova, não estava e afinal fui o único no clube que tinha feito uma espécie de Workshop de montagem de provas.
Correu bem, no final, todos nos deram os parabéns pela prova, com um bom grau de dificuldade e bastante bem equilibrada nas distâncias e direções dos alvos. Foi um bom prémio o facto de todos terem gostado da prova.
Quanto à classificação, estava em terceiro lugar na geral, consegui ficar à frente do Sérgio e da Ana que iam à minha frente mas não consegui fazer melhor que o Vasco que ganho a prova com mais 4 acertos que eu. Desta vez não fiz asneiras, acertei o que era suposto acertar, falhei um alvo que não estava a contar falhar mas ok, normal, não me chocou. No final, o segundo lugar acabou por pontuar menos do que outros lugares mais baixos do pódio, sim no Field Target, quem faz primeiro lugar conta 100%, as outras classificações pontuam uma percentagem do que fez o primeiro classificado em função do numero de acertos que fizeram a menos.

Mais um mês passou e aí estavam as provas de Portalegre, sábado campeonato, domingo Taça de Portugal e a soma dos dois dias contava para o Open Ibérico, ondd estavam a competir connosco os melhores atiradores espanhois.
Na classificação geral ainda estava em terceiro lugar, subir lugares já não me era possível ainda que ganhasse a prova no sábado, mas perder o terceiro lugar era possível, era e foi, eu precisava de ficar pelo menos à frente do Vasco mas acabei por fazer a pior prova da época fazendo apenas 40 acertos, estes acertos prejudicaram a classificação no campeonato fazendo-me terminar o campeonato em 4° lugar fora do pódio mas também acabaram por me prejudicar no segundo dia, ao começar na porta número 5, fez com que terminasse a prova na parte da tarde já com mais vento a atirar aos quatro alvos mais longos nas portas 3 e 4. Fiz 41 acertos a dois acertos dos 3 melhores atiradores espanhois.
Acabei por não conseguir dar o meu contributo para a vitória que Portugal conseguiu sobre a fortíssima selecção espanhola,  sim a selecção espanhola é sempre umas das 3 melhores do mundo mas a nossa não fica muito atrás e já varias vezes conseguimos em mundiais ficar à frente deles, tivessemos mais provas e mais atiradores e de certeza que Portugal estaria ainda melhor no ranking mundial.
Este ano nem sei qual a nossa posição no ranking mas ao mundial na África do Sul, apenas foram dois atiradores Lusos e apenas na categoria PCP.
Para quem não está por dentro, fiquem sabendo que a Federação Portuguesa de tiro, apenas nos dá setecentos e poucos euros para irmos representar o país a onde quer que seja, o que é manifestamente insuficiente para as despesas que se têm durante uma semana num país estranjeiro, este ano, noutro continente até. 
Já em dois anos consegui tal como neste, classificação no final do campeonato, a figurar entre os 5 melhores ou seja, já por dois anos consegui fazer parte da Selecção Nacional mas que me desculpem, não vou meter dinheiro do meu bolso para representar o país, se para um europeu de futebol se fizeram dois estádios a mais que custaram milhões de euros para hoje estarem às moscas, o que faltava era eu estar ainda a apagar do meu bolso para representar o país, pratico este desporto porque adoro praticá-lo mas não vou gastar dinheiro que me faz falta para representar o país, é esta a realidade deste país em muitas modalidades onde não se dão pontapés numa bola.
Gostava de ir?
Claro que gostava mas não estive para tal, não estive nem vou estar para o ano. Consegui mais uma vez resultados para fazer parte da Selecção Nacional, mas não vou passar uma semana nos Estados Unidos com uma participação da Federação que na melhor das hipóteses será de uns 800€.

Voltando à época que terminou.
Posso dizer que acabou por ser uma época bem positiva. 
Sou Mestre atirador em mais uma categoria do Field Target, já vão 3 categorias, Mola em Cano Articulado onde também já fui Campeão Nacional e tinha o Máximo Nacional até este ano em que o meu record foi batido, Mola internacional e agora PCP Internacional, e consegui mais uma vez um honroso 4°lugar numa categoria onde tal como na Mola Internacional, temos dos melhores atiradores mundiais.
Fiquei obviamente satisfeito embora com um sabor agridoce, pois a ainda pouca experiência competitiva acabaram por me tirar a possibilidade de conseguir uma classificação melhor e este ano esteve perfeitamente ao meu alcance. 

O grande, grande aspeto negativo da época foi sem dúvida,  o facto do Rogério Puga nos ter deixado a todos, deixou-nos na madrugada de sábado após a última prova do campeonato e após o jantar convívio do Campeonato Iberico, foi com grande "estrondo" que na manhã seguinte foi interrompida a prova de domingo para que todos ficássemos a saber que o Rogério tinha sido encontrado sem vida no quarto do Hotel.
Como tal, à familia enlutada e aos colegas do Arco Clube das Caldas, os meus mais sinceros pêsames e um obrigado ao Rogério por tudo o que deu à modalidade. O Rogério era este ano, o delegado do Field Target na Federação Portuguesa de Tiro.

Para a próxima época ainda não sei bem quais serão os meus objetivos mas uma coisa é certa, dedicarei algum tempo a tentar promover a modalidade, a tentar angariar mais alguns atiradores e a ajudar todos os que estiverem a começar ou com intenção de o fazer, a modalidade agradece e Portugal também.
Já consegui trazer alguns atiradores, espero conseguir mais uns quantos este ano.

No link a baixo poderão consultar as várias classificações das várias categorias do Field Target,  não só desta época mas também das anteriores.


Até pró ano e bons balázios.




Aqui fica também um pequeno vídeo de três alvos acertados durante o segundo dia do Ibérico em Arronches no concelho de Portalegre 


 




domingo, 30 de julho de 2023

Snowpeak PP750 vs Onix



 As armas vão passando cá por casa para fazer umas reparações, um gajo está de férias e aproveita para fazer uns comparativos.

Não foi comparativo exaustivo de grande qualidade, basicamente este serviu mais para perceber se havia diferenças de precisão entre irmãs.

São duas chinesinas PCP, ambas em calibre 4,5 com apelido Artemis, a Onix mais velha e a Snowpeak mais nova, mais prática por ter magazine de 9 pellets, já regulada de fábrica e também com uma coronha extensível. Já a sua irmã mais velha, mono tiro e com armador como qualquer outra pistola (o vulgarmente chamado cão) ao invés da alavanca lateral como qualquer PCP moderna torna-se muito menos prática, a coronha foi o dono que a adaptou como extra.




Vamos lá então ver o que deu.

A Snowpeak é minha, já está zerada e já levou uns carinhos no pesado gatilho de origem, idêntico ao da Onix mas agora depois dos carinhos, bem mais leve e agradável, as miras embora da mesma marca, têm diferenças assinaláveis sendo a mais relevante aqui para o caso, a espessura do retículo, a Hawke Panorama da PP750 é mais fininho.

A Onix com o pesado gatilho ainda de origem, foi zerada apenas para acertar no alvo sem me preocupar se era mesmo ao centro.

Os resultados aqui demonstrados serão seguramente melhores, (até porque conheço a minha arma) se não estiver o vento que estava hoje, vento que faz parte do clima que podemos encontrar num outro dia em tudo idêntico ao de hoje, simplesmente o que apanhei neste comparativo foi o sempre irritante vento frontal.

O chumbo usado foi o JSB Express 7,9gr que comecei por passar no cronografo, 5 tiros para cada uma era o suposto mas como os primeiros dois tiros com a Onix sairam com velocidade baixa e começaram depois a subir, resolvi ignorar os primeiros dois, acabando por fazer 7 tiros, o problema é que o sétimo tiro foi também bastante a baixo dos quatro anteriores, muito por culpa da ausência de um regulador, que a PP750 trás de fabrica, é certo que é um regulador chinês mas é sempre preferível um mau regulador do que a ausência deste.

Aqui estão as velocidades duma e de outra


Vamos então aos resultados no papel. Como disse anteriormente, a mira da Onix não foi devidamente zerada, como tal, o agrupamento saiu um pouco à direita.

Para minha surpresa, mesmo com um pouco mais de potência, velocidade do projéctil mais constante, gatilho mais leve e uma mira com um retículo mais fininho, a PP 750 não conseguiu ser superior à Onix, pelo menos a esta curta distância. 







sábado, 29 de julho de 2023

As novas velhas meninas cá de casa

LGV Spezial Junior 4,5


Anschutz 335 4,5


 Por vezes,  ficamos meio contentes e meio tristes ao comprarmos coisas de que gostamos.

Comprei duas belas armas, armas antigas e de qualidade, uma com mais qualidade que a  outra, uma que me deixou encantado desde o primeiro tiro que dei com ela há uma meia duzia de anos, esta mesmo, a da foto, não uma igual, a LGV Spezial Junior é deliciosa, bonita, leve, precisa, gatilho maravilhoso, é uma HW50 em ponto pequeno ou melhor, tem todas as características que gosto na 50 mas um pouco mais pequena e menos potente, digamos que é uma HW30 mas refinada, mais bonita e com menos recuo ainda, embora também um pouco menos potente, com um engatilhar que é musica para os meus ouvidos, uma velhota muito, muito enxuta mesmo. Não tem o bull barrel como é frequente, esta é a versão junior mas também já atirei com umas LGV Olimpia com o cano pesado e nunca me deram o prazer que esta deu. Esta Spezial é uma verdadeira delícia. 

A segunda arma é uma Anschutz 335. É uma excelente arma? Não, mas já tem uns aninhos e uma Anschutz é uma Anschutz. Não conheço bem o modelo embora já tenha atirado com ela há uns anos, sim, esta mesmo que também está na foto. Deixou saudades? Não, mas é uma Anschutz, não tem um gatilho excelente nem pouco mais ou menos mas é uma Anschutz. Dá para afinar? Nem sei. Ainda nem lhe toquei, espero que sim. Tem um peso e uma ergonomia de nos deixar maravilhados? Não, mas é uma Anschutz. Os acabamentos são excelentes? Não, mas é uma Anschutz. Ou seja, não é uma excelete arma, nem tão pouco mitica por algum motivo, sei é que é tem qualidade geral, fiabidade, precisão qb e não tenho nenhuma da marca cá em casa, ou melhor, não tinha.

Mas porque é que fiquei com um sabor agridoce ao comprar estas duas armas? Porque eram de um amigo que se está a desfazer da coleção, um amigo que sei que tem pena de as vender e nem sequer é por necessidade orçamental mas apenas porque ainda tinha mais penas de as ter e o tempo para as mimar e atirar não existia. Algumas até já foram minhas. Não era uma coleção enorme mas tinha boas armas, de mola, PCP e até pump. Umas muito boas, outras boas e uma ou duas mais fraquinhas que não tenho pena que não sejam minhas. Como já disse algumas já foram minhas. Gostava de as ter ainda? Gostava. Tenho pena de não as ter? Não, não tenho.

Em breve e enquanto não são vendidas, irei aproveitar para me despedir delas já que o dono pouco ou nada atirou com elas depois de as comprar, quanto as estas duas, ficará para outras núpcias a apresentação mais pormenorizada já que terei bastante tempo.

Por agora é só, ficam apenas mais duas fotos do lado oposto às fotos no início.






domingo, 23 de abril de 2023

Outra vez Springer vs PCP




 Bem sei que muitas vezes tenho comparado o incomparável, Springers com PCPs, são armas diferentes com características diferentes. Ok mas ambas são armas de ar comprimido e só por isso as comparo, porque muitos estão a aderir à moda das PCPs, muitos estão a comprar este tipo de armas porque acham que são melhores. Na verdade têm alguns benefícios mas também perdem para as springers noutros aspetos.

Se por um lado as PCPs são menos sensíveis ao erro do atirador e em alguns casos conseguem potências bastante suoeriores às armas de mola, por outro necessitam de mais manutenção e uns quantos acessórios, o que talvez acabe por fazer pensar mais de duas vezes antes de as escolher em detrimento das springers. Se comprarem uma springer, tal como as PCPs podem ou não, usar mira telescópica como acessórios mas para as armas de mola basta  acrescentar a latinha dos chumbos que convém serem da melhor qualidade possível e vamos embora atirar, já as PCPs como é sabido, necessitam sempre de algo para as encher, para que possam disparar e este algo terá de ser uma bomba que ronda os 150€, uma garrafa de mergulho que em segunda mão começa igualmente nos 150€ ou um compressor que em média custa novo o dobro e muito dificimente se encontra em segunda mão. Dito isto, parte do orçamento de cada um e a vontade que cada um tem, de carregar com um destes acessórios cada vez que quiser usar uma PCP.

Hoje trago aqui duas armas que custam sensivelmente o mesmo, cerca de 280€,  que me levaram a comparar a precisão e demonstrar que uma boa springer tem a mesma precisão de uma PCP com a vantagem óbvia da autónoma e desta forma poder fazer milhares de tiros sem precisar de carregar ou comprar algo para além da latinha dos chumbos. Por esta altura estarão a dizer que esta é uma boa springer, já a PCP é chinesa. Certo mas esta springer é mais barata que muitas outras que por aí andam e bem piores. Quem me conhece ou acompanha este blogue, sabe também que eu sou um acérrimo defensor das armas de mola, dihamos que sou um bocadinho old school e com este post vejamos se tenho ou não razão, também devo dizer que há outras armas de ar comprimido mais baratas, o que duvido muito é que tenham esta precisão e esta energia média, 15j mais precisamente, sim ambas estão com sensivelmente 15j após umas cócegas que lhes fiz.

Mas de que armas estamos afinal a falar?    Como representante das armas de mola temos a Weihrauch HW50s, como representante das PCPs temos Artemis PP750, ambas no calibre 4,5.

As miras são da mesma marca Hawke mas de modelos diferentes como tal ambas foram usadas neste comparativo nos 7X de magnitude porque a Vantage, tem os 7 aumentos como zoom máximo. 

Os chumbos são segundo as latas, de marcas diferentes mas como todos já sabem, feitos na mesma fábrica JSB com rótulos diferentes. Pelo que parece na foto, os Cometa Express 7,9 gr não se portaram lá muito bem em nenhum dos canos mas também nos JSB original por vezes aparece um lote com menos qualidade ou que os canos menos gostam. Digamos que foi azar, já os Exact 8,44 são restos de um lote bom que ainda tenho precisamente para testar canos.


Como não estava muito vento aproveitei para fazer este comparativo da treta e como o alvo estava apenas 19m não acabou por ter influência naquilo que são os grupos normais para estas armas. Vamos então às habituais fotos para suportar tudo aquilo que é a minha opinião, na esperança que de alguma forma possa ajudar quem está a pensar comprar uma pressão d'ar para tiros com qualidade ou seja, acertar onde se pretende acertar.








sexta-feira, 21 de abril de 2023

Quando um gajo gosta de bricolage

 Hoje não vai haver muito para ler, hoje é mais ao gosto de quem gosta de ver fotos.

Apenas digo que o trabalhinho foi feito em nogueira e que as primeiras fotos são já com o trabalho acabado, as últimas fotos obviamente são o começo do DIY de duas simples platinas de pistola.

 




A platina de origem à esquerda e à direita o projecto ainda com verniz de origem

Aqui depois de tirar o verniz velho


As lixas que deram acabamento






A faze de corte com serrote mesmo à boss 



Os moldes em cartão para correr tudo bem




2° upgrade

Encosto de bochecha também em nogueira para adicionar rigidez ao conjunto e melhorar o paralaxe numa mira de apenas 3X

Algumas fotos do processo de construção 









3° upgrade

As PCP têm esta coisa de serem modelares o que para quem gosta de bricolege se torna divertido, pena que o tiro com este tipo de arma não seja tão gratificante como com springers.

Desta vez resolvi trabalhar em alumínio para que o ato de recarregar se tornasse mais fácil e rápido 


Aqui fica o prcesso artesanal