sábado, 8 de abril de 2017

7 Truques para tirar o máximo da arma

Na sequência do último post dedicado a quem está a dar ou pretende vir a dar os primeiros passos com armas de ar comprimido, aqui fica um post com algumas dicas para que se tire o máximo rendimento da arma.

Todas as armas são precisas, cada uma de sua maneira, obviamente que uma pistola não pode ter a precisão de uma carabina o que não quer dizer que a pistola não seja precisa ou até muito precisa, tudo depende do fim para que determinada arma foi concebida, mesmo entre armas do mesmo segmento as diferenças podem ser notórias precisamente pelo mesmo motivo, uma carabina construída para competir no desporto terá sempre de ser mais precisa e consistente que uma para caça e esta por sua vez mais melhor ainda que uma construída para plinking. No entanto todas as marcas anúnciam extrema precisão nos seus produtos e méritos fantásticos. Quando compramos uma carabina mesmo que seja nova não nos podemos esquecer que é preciso sorte, mesmo em armas da mesma marca e modelo, com o mesmo controle de qualidade têm componentes como o cano com pequenas variações que podem tornar uma arma um pouco mais precisa que a outra mas hoje venho aqui falar da parte que depende do comprador, o que cada um de nós pode fazer para que se retire o máximo rendimento da sua arma, neste caso concreto das springers por serem aquelas com que mais me identifico, as mais exigentes tecnicamente e aquelas com que se por norma se começa no ar comprimido, quase tudo o que a seguir vai ser descrito se aplica à maioria das armas, até mesmo às de fogo.
Quando pensamos em comprar uma arma nova devemos ter presente que esta não se encontra na maior parte dos casos a 100% do seu potencial, então o que é que podemos fazer para que se retire o máximo do nosso investimento?

1° limpar a arma corretamente e não me estou a referir ao exterior, quem não souber abrir a arma deve pelo menos limpar o cano, sendo que o ideal é enviar a um armeiro para que possa preparar a arma. Já várias vezes aqui disse e até demonstrei através de fotos que as armas vêm com excesso de lubrificação até mesmo dentro do cano estas veem lubrificadas, quem não se lembra de ver sair fumo do cano nos primeiros balázios que se dão com a arma, o fumo é o primeiro indicador de que não vamos obter grupos consistentes, ou pelo menos com a melhor consistência.



2° Afinar o gatilho, um gatilho muito pesado retira boa parte do sucesso do tiro, não é por acaso que armas criadas a pensar no desporto têm mais e melhores afinações de gatilho que as mais comuns, também aqui quem não estiver perfeitamente à vontade para o fazer deve enviar a arma para o armeiro.



3° Uma das regras mais básicas. Quem escolhe o projétil é a arma e não o atirador, de nada adianta comprar os chumbos mais caros do mercado, obviamente que com os de melhor qualidade por norma se obtém melhores resultados mas testar vários chumbos de várias marcas ainda que sejam marcas diferentes da da nossa arma é fundamental, para tal devemos fazer o maior número de grupos possível ou grupos de muitos tiros, com cada modelo fica ao gosto de cada um.



4° Conhecer os aparelhos de pontaria e saber que uma má mira telescópica em cima de uma excelente arma vai dar barraca, há por aí muitas marcas de miras telescópicas que nos fazem gastar mais tiros a zerar do que a atirar a contar.
Para começar, miras demasiado baratas dificilmente apontam meia dúzia de tiros para o mesmo sítio ou seja uma mira dever ser suficientemente robusta para aguentar o recuo da arma, quando a resistência da mira é fraca esta não aguenta o zero logo nem se consegue perceber sequer se a arma é precisa ou não, uma mira deve ser robusta, com clicks precisos e bem definidos e deve de preferência ter ajuste de paralaxe, pois só assim saberemos também que o nosso erro ao apontar para o alvo é minimizado e para isto não é preciso gastar nenhuma fortuna, no caso das miras abertas não é muito diferente, os clicks devem ser precisos, bem definidos e o mais pequenos possível.

Isto vai dar mau resultado

Aqui está um bom exemplo de que não é preciso gastar muito numa mira


5° Esta é mesmo dedicada às armas de mola como quase todo este blog.
Devemos procurar o melhor ponto de apoio para a arma, apoiar a arma um pouco mais à frente ou mais atrás pode fazer muita diferença, uma vez encontrado o melhor ponto de apoio devemos apoiar sempre no mesmo sítio para desta forma manter a consistência, o ponto de apoio não deve nunca ser duro mas sim macio por forma a absorver a vibração no momento do disparo. 

Duvido muito que seja este o melhor ponto de apoio para a arma 
Normalmente é a meio onde a arma se encontra equilibrada

Nesta foto podemos ver o atirador a apoiar a arma onde à partida se deve apoiar

Até mesmo nas PCP o apoio deve ser fofinho


6° Agarrar a arma sempre da mesma forma, a arma é como um passarinho, se a agarramos muito vamos mata-lo se o agarramos pouco ele foge, a arma não deve nunca ser apertada com qualquer das mãos e deve ser agarrada sempre da mesma forma.


Reparem que a mão esquerda não agarra a arma, apenas a apoia


7° Por último e o principal, treino, muito treino, um bom atirador consegue maravilhas com uma arma média mas um atirador médio ou mau não irá certamente conseguir os mesmos resultados com uma boa arma.




Em jeito de conclusão devo dizer que estes são os passos mais básicos para retirar o máximo da arma mas não são obrigatórios para nos divertirmos ao máximo. Nem sempre o divertimento máximo se retira da arma mais precisa ou dos agrupamentos mais pequenos. Se eu pretender apenas fazer grupos pequenos faço somente tiros apoiados, a curtas distâncias e possivelmente vou morrer de tédio, daí eu gostar tanto das springers, os cavalos selvagens das armas de ar comprimido, cavalos que me dão um enorme prazer domesticar para tentar fazer umas habilidades. Por outro lado se o que me diverte é acertar numas latas ou caraças no quintal o investimento pode ser menor sem beliscar a diversão, importante é que se divirtam a mandar balázios e o façam em segurança.







sábado, 1 de abril de 2017

Field Target e os Primeiros Passos

Recentemente conheci alguém que hoje é meu amigo, que gosta de atirar e que decidiu começar a fazer Field Target, comprou uma arma, comprou a mira e depois perguntou-me, então e agora vamos mandar blázios?
Resposta, agora temos de preparar a arma e a mira.

Em Portugal os praticantes não são muitos mas temos dos melhores do mumdo e a modalidade está a crescer por cá, por isso este post destina-se a quem está a começar ou a quem quer começar a praticar a modalidade de tiro mais completa do mundo.
Não, não estou a puxar a brasa à sardinha é a pura verdade. Quantas modalidades de tiro conhecem em que se atira em mais que uma posição? No FT atira-se em três posições, sentado, de pé e de joelho no chão. Quantas modalidades de tiro conhecem em que se atire a distâncias variáveis? No FT atira-se a qualquer distância entre os 9 e os 50 metros. Quantas modalidades de tiro conhecem que o projétil tenha uma curva balística tão acentuada nas distâncias a que se atira como nas armas de ar comprimido? Quantas modalidades de tiro conhecem com um projétil tão sensível a uma ligeira brisa e que ainda por cima se atire em ângulos positivos e negativos?
Não é qualquer mira telescópica que serve para esta modalidade e conhece-la  muito, muito bem é fudamental para que se tire das variações de leituras que nos dá em função da temperatura ou da exposição solar do alvo.
Se optarem pelas armas de mola não se esqueçam que o recuo acontece antes do projétil abandonar o cano o que torna a coisa mais difícil.
Jovem, se te queres tornar num grande atirador alista-te e lê o que vem a seguir se queres começar uma carreira de (sniper), sim é verdade, um bom atirador de FT atira bem com qualquer arma de carabina.

Para praticar esta modalidade a arma e a mira telescópica são essenciais mas como costumo dizer o material não faz tudo sozinho e o que está a trás do conjunto é mesmo o mais importante ou seja, o atirador, antes mesmo do primeiro tiro é preciso adquirir um conjunto de conhecimentos para que a arma possa responder às nossas solicitações. Neste post não vou abordar tudo o que é preciso para se ser um atirador de excelência ou ter material de excelência, porquê? Porque eu não tenho também conhecimento suficiente, se o tivesse o melhor que teria a fazer era escrever um livro, um post num blog é claramente insuficiente para um assunto tão vasto onde mesmo os mais experientes continuam a aprender mais qualquer coisa a cada ano que passa.
Neste post vou abordar apenas o básico para participar numa prova de Field Target.

Em primeiro lugar em Portugal é preciso Licença Federativa que evidentemente é passada pela Federação Portuguesa de Tiro, no caso do tiro com armas de ar comprimido o teste é bastante fácil e barato, se abdicarem de um serão de copos já sobra tempo e dinheiro para a lição de manuseio e para pagar o teste mas para início teremos de nos increver primeiro num clube de tiro, pois é este que propõe o atleta a exame na Federação.

Com a habilitação na mão podemos depois escolher a arma e a mira, a arma pode ser de mola ou de ar pré comprimido (PCP), nas de mola as categorias são duas, cano articulado ou cano fixo, nas PCP também são duas as categorias que variam na potencia, 16Joules a categoria internacional ou 24J, quanto à mira convém que pelo menos tenha 24 aumentos, se tiver mais tanto melhor. A meu ver penso que no início não valha a pena gastar dinheiro em material topo de gama, sem material bom não se conseguem bons resultados mas também não é preciso começar logo com o que há de melhor no mercado, há inúmeras coisas para aprender até que se consiga tirar partido do material de boa qualidade e vão ser precisos uns valentes milhares de tiros podem ter a certeza.

Depois de comprada a arma e a mira, a primeira coisa a fazer será dar uma limpeza interior na arma, ainda que esta seja nova em folha, como já aqui mostrei há uns tempos as armas vêm de fábrica com excesso de lubrificação e por norma com lubrificantes que nem sempre são os mais adequados, caso a arma tenha sido adquirida em segunda mão convém saber junto do anterior proprietário em que estado esta se encontra por dentro, com sorte pode até acontecer que a arma seja de um praticante de tiro e se encontre em boas condições para começar a atirar.

Arma pronta, vamos tratar da mira e aqui vamos ter de começar a aplicar  alguns conhecimentos, em primeiríssimo lugar teremos de montar a mira perfeitamente alinhada e nivelada com a arma, para tal vale a pena gastar aqui algum dinheiro numas muito boas montagens até porque este é um acessório dos mais baratos do comjunto e que nos pode acompanhar mesmo que se troque de arma ou mira.
Para montar a mira devemos ter presente que a zona central dos vidros é sempre onde se consegue a melhor imagem como tal devemos contar os clicks na torre de elevação por forma a montar a mira com os clicks a meio para que a arma consiga acertar a distâncias no meio da curva balística, se as montagens permitirem este tipo de afinação otimo, se não, podemos sempre recorrer a calços nos anéis de montagem, o material que normalmente uso para calçar a mira são as capas plásticas dos cadernos.
Neste momento estarão alguns a achar isto tudo uma grande confusão e a perguntar como é que vou fazer isto?
Tudo o que aqui vou dizer pode não ser a forma mais correta ou mais simples, provavelmente haverá quem faça de forma diferente, eu vou dizer como faço, quem quiser fazer de forma diferente força, façam da forma que acharem mais prática e de melhor compreensão.
Como disse anteriormente, eu procuro o zero da mira pelos clicks há quem o faça com recurso a um espelho e até de outras formas, eu vou pelos clicks, ou seja, pelo zero mecânico. Antes de mais é preciso conhecer o projétil que a arma mais gosta e a velicidade a que sai do cano para simular a curva balística numa das várias aplicações disponíveis e assim saber quais as distâncias que ficam +/- entre os pontos que pretendemos. Imaginemos por exemplo que os 13m e os 40m ficam próximos do mesmo click na torre de elevação. O que tenho a fazer é riscar um traço horizontal num pedaço de cartão que vou colocar à distância de 13m e sem mexer na torreta faço dois dispáros e ver se acerto a cima ou a baixo do traço e dessa forma saber se adiciono ou retiro calços, no caso de ter anéis de montagem com regulação faço coincidir o traço horizontal do reticulo com o traço horizontal que fiz no cartão.

Roda de paralaxe e torreta de elevação




Depois de regular a inclinação da mira vou então nivelar a arma e a mira, este é um ponto que não deve ser descurado, até porque é muito simples de resolver. Para tal podemos fazer a operação de duas formas, a primeira com bolhas de nível, uma ficará fixa na arma e a outra na mira, a forma forma dá para todos os casos com uma bolha de nível apenas, este é o primeiro acessório que devemos comprar e um dos mais baratos.
Então é assim, fixamos a bolha na arma por forma a que esta fique de nível lateralmente, em seguida vamos fixar um fio de prumo a uma distância que não precisa ser muito longa mas que seja possível à mira focar para que com a arma nivelada possamos alinhar o traço vertical do reticulo com o fio de prumo e assim apertar todos os parafusos das montagens verificando sempre o nível da arma e o alinhamento do reticulo da mira.

Mira fixa vamos então para a escala de paralaxe, esta é uma característica indispensável numa mira de FT, tem de a possuir pois é esta escala que nos vai indicar a distância a que os alvos se encontram,  a perfeita leitura das distâncias é determinante para o sucesso do tiro. Sabendo nós que em prova os alvos estão compreendidos entre os 9 e os 50m teremos de nos socorrer de uma fita a métrica para nos ajudar nesta tarefa, na roda de paralaxe que deve ter o maior diâmetro possível mas não exagerado vamos colar papel milimetrico em todo o seu perímetro depois se tivermos um alvo de treino podemos fixá-lo numa plataforma móvel para desta forma se poder deslocar o alvo com mais facilidade dentro das distâncias pretendidas.
Agora que temos tudo pronto vamos então fazer a escala de paralaxe que difere de pessoa para pessoa logo não devemos confiar na e que vem de fábrica ou numa que venha numa mira que se tenha adquirido em segunda mão, comecemos então por pousar a arma numa bancada e desenrolar a fita desde a nossa posição até aos 50m, seguidamente vamos repetir a seguinte operação de metro a metro dos 9 aos 50m que consiste em colocar o alvo a 9m e rodando a roda sempre no mesmo sentido focar o alvo o melhor possível, por vezes o alvo continua focado permitindo algum movimento da roda, nestes casos temos de fazer o traço na na roda que nos indica a distância no início o no fim da focagem ou seja, ou assim que a imagem fica focada ou então quando começa a ficar desfocada. O procedimento como já disse repete-se para todas as distâncias que se pretende, seja de metro a metro ou de meio em meio metro.

Escala de paralaxe em miras AO


Escala de paralaxe em miras SF


Agora já só nos falta fazer a curva balística que no caso de miras com clicks de 1/4 de moa podemos apontar as distâncias segundo a escala que vem na torreta mas no caso de miras com clicks de 1/8 de moa que dão mais que uma volta entre as distâncias de tiro aconselho mandar fazer uma cobertura de torreta com o maior diâmetro possível para evitar ao máximo que nos percamos nas voltas da torreta. O exemplo que vou dar por ser mais simples serve para torretas com 1/4 de moa. Para fazer a curva uso um processo muito identico ao que referi anteriormente nos primeiros tiros do conjunto, fita métrica, riscos horizontais no alvo e tentativa de acerto nos riscos, assim que acerto dois ou três tiros no risco para onde apontei aponto na cábula a distância do alvo e o click da torreta. Quem preferir rodar a torreta sempre no mesmo sentido para subir ou descer os clicks é conveniente zerar a mira para o ponto mais alto da curva balística desta forma fica muito facilitado o trabalho em prova.

Bolha de nível, um dos acessórios mais baratos e um dos mais importantes
podem sempre comprar um nível de plástico por 1/2€ retirar uma bolha e colar com fita dupla face na parte de trás da ação 

Torretas de elevação já com cábula

Aqui fica uma boa ideia para um apontador caseiro bem barato


Espero que este texto venha a ajudar de alguma forma todos aqueles que estejam a iniciar este desporto, muito mais haveria para falar até porque outras maneiras há para se conseguir o que aqui tento explicar, com metodos até mais elaboradas para chegar ao mesmo objetivo mas que só iria confundir quem está a dar os primeiros passos no FT.

Agora há que treinar, treinar, treinar para aprender a compensar o vento segundo a intensidade, relevo do terreno, inclinação do tiro e perceber também de que forma a variação de temperatura, a exposicao solar do alvo podem afetar não só as leituras das distâncias mas também a balistica externa.
Por algum motivo está é a modalidade de tiro de mais difícil do mundo, daí o prazer que se retira cada vez que se acerta no Killzone.


Aqui ficam alguns exemplos dos alvos usados no FT








quinta-feira, 30 de março de 2017

História da BSA

O último post foi sobre uma marca do Reino Unido e já que estamos em terras de Sua Magestade por cá vamos continuar e falar um pouco sobre a história da BSA - Birmingham Small Arms Company Limited.
A empresa foi fundada a 7 de junho de 1861 na cidade de Birmingham obviamente e nasceu como fábrica de armas de fogo e para fazer frente à mesma indústria já mecanizada da cidade de Enfield.
Em Birmingham havia na altura excelentes mestres armeiros e foi devido à associação de 14 destes mestres que foi possível adquirir um terreno com cerca de 10 hectares onde se construi a fábrica e uma estrada até ela que ainda hoje tem o nome que lhe foi atribuído na altura, Armory Road, o primeiro presidente da marca foi J D Goodman até 1900, não demorou muito para que a BSA começasse a crescer a olhos vistos, os conflitos políticos na Europa encarregaram-se de dar a ajuda necessária, as encomendas começaram a suceder-ser em catadupa e a empresa cresceu de tal forma que rapidamente alargou a atividade a vários ramos da metalurgia, desde o fabrico de chássis para automóveis através da Daimler, construiu máquinas e ferramentas, bicicletas, motos, neste caso não só as BSA mas também adquirindo outras marcas como a Ariel, Norton, Sumbeam, Villiers e até a Triumph, chegou mesmo a possuir uma fundição e talvez daí tenha retirado os ensinamentos para produzir canos de altíssima qualidade.
No final da Primeira Guerra Mundial a BSA era o maior construtor europeu de armas de fogo ligeiras e uma das mais importantes marcas do UK.
A marca passou no entanto por muitos altos e baixos, um pouco ao sabor dos conflitos bélicos existentes na Europa na primeira metade do século passado, ora exportando, ora contribuindo arduamente para o esforço de guerra sendo a marca que mais contribuio no fabrico de carabinas e metralhadoras para a coroa britânica.
A BSA tem uma história enorme devido sobretudo à dimensão que conseguiu alcançar, obviamente que aqui apenas nos interessam as armas de ar comprimido e não vale a pena falar dos outros tipos de indústrias da marca, no entanto devido ao pouco peso que as armas de ar comprimido tiveram na BSA não é fácil encontrar informação pelo que vou limitar-me a mostrar algumas armas da marca, no entanto como é sabido a Gamo adquiriu os direitos de fabrico das armas de ar comprimido em 1986 mantendo a produção em Armory Road e logo cinco anos após fabricou a primeira arma de ar de repetição, a Goldstar, em 2002 a BSA assume a distribuição da Gamo no Reino Unido.
Neste momento a BSA não é certamente no ar comprimido uma marca de top embora continue a fabricar armas e canos de boa qualidade, a R10 será hoje em dia o expoente máximo da marca.



1905 começou a fabricar o Mod. B com patente de Lincoln Jeffrey, uma carabina de mola de cano fixo underlever que dispara esferas calibre 4,5 e 5,5


Com ajuste de gatilho

 Sistema de mira aberta

Ou Sistema de dióptro

 A Airsporter

 Cano Fixo com alavanca por baixo da ação

A Goldstar 

E o seu sistema de magazine


A Ponta de lança da marca nos dias de hoje, a PCP R10











segunda-feira, 6 de março de 2017

História da Whiscombe

Agora que que já contei a história da maior marca mundial de armas de ar comprimido e que tal se contasse a história daquela que eu saiba é a menor marca mundialmente conhecida? Por ser uma marca praticamente desconhecida aproveito e falo também das características das suas armas.
Nem todos conhecem, tenho a certeza que, também não é para menos, só  quatrocentas e poucas é que se fabricaram perdão, construiram, estas preciosidades foram todas construidas à mão numa garagem onde apenas cabe um carro, digo foram porque já não se fazem mais, o seu construtor John Wisconbe já arrumou as botas e agora vive dos rendimentos.
A Whiscombe nasceu no UK em Thatcham e produziram-se entre 1987 e 2007 sendo que as útimas encomendas se fizeram até 2003 ano em que a pagina oficial da marca deixou de ser atualizada, pensa-se que só nos EUA estejam cerca de 280 armas.
O nome da marca vem do nome do construtor, John Whiscombe daí os modelos começarem pelas iniciais JW seguidos de números, números esses que nos dizem a distância em milimetros que os dois pistões têm de afastamento quando arma se encontra pronta para o dispáro, quanto mais afastados maior é a camara de ar entre eles o que dá maior potencia às armas.
Estas armas têm dois pistões mas não façam confusão com o sistema GISS da Diana, neste caso os pistões movem-se precisamente de forma oposta aos da Diana, enquato os da marca germânica se afastam um do outro anulando dessa forma o recuo, neste caso concreto quando a arma é disparada eles juntam-se como duas mãos a bater palmas e por isso se uma destas armas for disparada a seco já era, os pistões colidem um com o outro por não existir uma almofada de ar que evite o choque. Se por um lado não se podem disparar estas armas a seco também não se podem carregar antes de armar o que provocaria vacuo entre os embolos, digamos que estes Rolls Royces das armas de ar comprimido terão de ser operados conforme as especificações do construtor e apenas dessa forma.
As Whiscombe são conhecidas por serem springers com recuo e precisão ao nível das PCP, a panóplia tecnológica é tal que ao adquirir uma destas maravilhas é como se se estivesse a adquirir várias armas de diversos calibres e diversas potencias, no Kit vêm com canos intercambiaveis em calibres .177, .20, .22 e .25 que não são nem mais nem menos, do que canos Anschutz premium, junto com os canos vêm também as ponteiras que servem para calibrar o efeito harmónio dos canos o sistema HOTS ( Harmonic Optimized Tuning System), como se não bastasse, o kit é também composto por Transfer ports de vários diâmetros para que seja possível regular a potencia pretendida, a ausência do transfer port dá à arma a sua máxima potencia.
Algumas Whiscombe têm também outra particularidade, ao mesmo tempo que são underlever (alavanva por baixo da arma), são também brack barrel (cano articulado) e atuadas como as Pump ou seja, têm uma alavanca inferior que nos dois modelos mais potentes terá de ser acionada três vezes (mais uma que nos modelos menos potentes) para que arma fique armada, (menos acionamentos não confere menos potencia, simplesmente os pistões não fazem o curso total o que as impede de armar o gatilho que também tem total afinação) o cano é basculado apenas para municiar a arma.  
Os modelos conhecidos são os JW50 - JW55 - JW65 - JW75 e JW80, podem haver mais mas que eu não encontrei nas informações que encontrei sobre a marca, sei apenas que o modelo JW80, o mais potente consegue dispáros com uma energia de quase 43 joules embora no momento em que são exportadas estejam com apenas 12joules para efeitos legais no Reini Unido.
A marca é muito pequena e com uma história curta mas já me fartei de escrever, tantas são as características da marca.
Quem está a ler já se deve ter perguntado não sei quantas vezes quanto custa uma beleza desta. Então cá vai, os preços variavam, cada arma era construída apenas por uma pessoa, digamos que se trata de uma peça artesanal, logo nem todas tinham o mesmo tempo de produção levando a que os preços variassem entre as 2300 e 3000£, variavam também em função da madeira da coronha e do seu grain. hoje e porque estão descontinuadas valem aquilo que se estiver disposto a largar.
Vamos então para as fotos que não são poucas.


John Whiscombe



Desenho do mecanismo



Um monte delas só pra meter nojo








Até parece que está escangalhada




Uma JW75 com os seus 4 canos

JW75

Troca do transfer port

Os vários transfer ports

As ponteiras do sistema HOTS


Mais um mod.75